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Violência contra a mulher cresce na Bahia e número de casos preocupa autoridades e especialistas

Por Neuza em 19/05/2026 às 17:30

Violência contra a mulher cresce na Bahia e número de casos preocupa autoridades e especialistas


Os casos de violência contra a mulher continuam crescendo no Brasil e revelam um cenário cada vez mais preocupante. Dados divulgados por órgãos de monitoramento da violência e direitos humanos mostram que o país enfrenta índices alarmantes de agressões, abusos e feminicídios, principalmente dentro do ambiente familiar.

Levantamentos do DataSenado, da Rede Observatórios da Segurança e do Ministério da Justiça apontam que cerca de 12 mulheres sofrem algum tipo de violência diariamente no país. Além disso, o Brasil registra uma média de quatro feminicídios por dia, realidade que acende um alerta para a necessidade de fortalecimento das políticas públicas de proteção às mulheres.

Outro dado que chama atenção é o aumento de 56,6% nos casos de violência sexual, atingindo principalmente crianças e adolescentes. A maioria das ocorrências acontece dentro da própria residência da vítima, muitas vezes cometidas por companheiros, ex-companheiros ou pessoas próximas da família.

Na Bahia, os números também cresceram significativamente em 2026. Segundo o Painel de Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), já foram registrados 10.491 casos de violações contra mulheres no estado apenas nos primeiros meses do ano. Os registros envolvem situações de violência doméstica, maus-tratos, exploração sexual e outras violações de direitos humanos.

Apesar do alto número de ocorrências, apenas 1.274 protocolos de denúncia foram efetivamente formalizados, evidenciando que muitas vítimas ainda enfrentam medo, dependência emocional ou insegurança para denunciar os agressores.

O crescimento em relação ao mesmo período de 2025 foi de 14,53%. No ano passado, haviam sido registrados 9.160 casos nos cinco primeiros meses do ano.

A capital baiana lidera o ranking estadual de ocorrências, com 4.044 casos registrados até o dia 15 de maio de 2026.

Municípios da Bahia com maior número de registros:
Salvador – 4.044 casos
Feira de Santana – 583 casos
Vitória da Conquista – 378 casos
Camaçari – 265 casos
Prado – 165 casos
Porto Seguro – 142 casos
Juazeiro – 125 casos
Itabuna – 116 casos
A especialista em Direito e políticas de proteção à mulher, Sabrine Silva Kauss, destaca que denunciar qualquer tipo de violência é fundamental para interromper o ciclo de agressões e garantir segurança às vítimas.

Segundo ela, a denúncia possibilita uma resposta imediata das autoridades, permitindo medidas protetivas, acolhimento e responsabilização dos agressores.

“Denunciar é um ato de coragem e também de proteção. Muitas mulheres conseguem romper o ciclo da violência quando recebem apoio especializado e atendimento adequado”, afirmou.

Ela também ressalta que a denúncia contribui para ampliar a conscientização social sobre a gravidade da violência doméstica e ajuda no fortalecimento de políticas públicas de enfrentamento ao problema.

Como buscar ajuda
Em situações de risco imediato, a orientação é ligar para o número 190 da Polícia Militar. Em muitos casos, mulheres utilizam estratégias discretas, como simular pedidos de delivery durante a ligação, para pedir socorro sem levantar suspeitas do agressor.

Outro canal importante é a Central de Atendimento à Mulher, através do número 180, disponível para denúncias, acolhimento e orientações.

As Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) também oferecem suporte às vítimas, realizando investigações, registros de ocorrência e solicitação de medidas protetivas de urgência.

Na Bahia, existem atualmente 15 Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher e sete Núcleos Especializados de Atendimento à Mulher, além da Deam Online, que funciona 24 horas para atendimento e registro de ocorrências.

Especialistas reforçam que combater a violência contra a mulher exige não apenas ações policiais e judiciais, mas também conscientização social, fortalecimento da rede de apoio e incentivo à denúncia.

Fonte: Por redação do Bahiaextremosul.

Tags:   Bahia violência contra a mulher
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