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Após 17 anos, Justiça condena dois PMs por assassinato de professores em Porto Seguro

Por Neuza em 07/05/2026 às 09:18

Após 17 anos, Justiça condena  dois PMs  por assassinato de professores 17  em Porto Seguro

Foto/ Reprodução


Dezessete anos depois de um crime que chocou Porto Seguro e mobilizou movimentos sociais em toda a Bahia, a Justiça condenou dois policiais militares pelo assassinato dos professores Álvaro Henrique Santos e Elisney Pereira dos Santos. O julgamento aconteceu entre terça-feira (5) e quarta-feira (6), no Fórum Rui Barbosa, em Itabuna, no sul do estado.

Os réus Sandoval Barbosa dos Santos e Joilson Rodrigues Barbosa foram considerados culpados por participação direta na execução dos educadores, mortos em setembro de 2009 em uma emboscada montada em um sítio ligado à família das vítimas. Conforme a decisão do Tribunal do Júri, cada um deles deverá cumprir mais de 38 anos de prisão em regime fechado.

De acordo com as investigações apresentadas no processo, os professores foram atraídos até o local sob falso pretexto e acabaram surpreendidos pelos criminosos. Elisney morreu ainda na cena do crime após ser atingido por vários disparos. Já Álvaro chegou a ser socorrido e transferido para Salvador, mas não resistiu aos ferimentos.

Na sentença, os jurados atribuíram aos condenados pena de 21 anos, 10 meses e 15 dias pelo homicídio de Álvaro, além de 16 anos, 7 meses e 15 dias pela morte de Elisney. O magistrado responsável pelo caso considerou agravantes importantes, como a invasão de domicílio e os impactos causados à família de Álvaro, que deixou um filho de apenas um ano na época do assassinato.

A morte dos professores teve enorme repercussão política e social na Bahia. Em 2009, Álvaro Henrique era uma das principais lideranças sindicais da educação em Porto Seguro e presidia a APLB, sindicato que representa trabalhadores da rede de ensino. Ele atuava à frente de mobilizações e reivindicações em defesa da categoria, o que aumentou ainda mais a comoção em torno do caso.

Na época do crime, o então secretário municipal de Comunicação de Porto Seguro, Edésio Lima, chegou a ser apontado pelas investigações como suposto mandante do atentado e foi preso preventivamente. Entretanto, ele não será mais levado a julgamento porque o processo prescreveu. Em nota divulgada pela defesa, Edésio negou qualquer participação e afirmou que o caso seria resultado de uma “farsa processual”.

O julgamento desta semana encerra uma longa espera por respostas e punições. Durante anos, familiares, amigos, representantes sindicais e movimentos sociais cobraram celeridade da Justiça e responsabilização dos envolvidos. O desfecho foi acompanhado com atenção por entidades ligadas à educação e por moradores do extremo sul baiano, que viam no caso um símbolo da violência contra lideranças sociais.

Com a decisão do Tribunal do Júri, Sandoval Barbosa dos Santos e Joilson Rodrigues Barbosa passam oficialmente à condição de condenados pelos assassinatos dos dois professores, em um dos crimes de maior repercussão da história recente de Porto Seguro.

Fonte: Por redação do Bahiaextremosul.

Tags:   Porto Seguro justiça cndenação políciais assassiantos professores
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