Na manhã desta quarta-feira (15), uma força-tarefa da Polícia Civil da Bahia deflagrou a segunda fase da "Operação Desova" no município de Porto Seguro. A ação é o desdobramento de uma investigação minuciosa sobre o assassinato de Sara Cristina Ferreira de Souza, de 18 anos, crime que se tornou símbolo da violência extrema na região devido à crueldade com que foi executado.
Durante a ofensiva, os agentes cumpriram cinco mandados de busca e apreensão e efetuaram a prisão de um homem, identificado pelas iniciais R. S. S., que estava foragido da Justiça com um mandado em aberto pela Vara de Execuções Penais de Itabuna.

O caso que mobiliza as autoridades teve início em 8 de setembro de 2025, quando o corpo de Sara foi encontrado às margens da BR-367, no distrito de Vera Cruz. A cena chocou até mesmo investigadores experientes: a jovem havia sido decapitada. Dez dias após a localização do corpo, a cabeça da vítima foi encontrada em outra área, confirmando o requinte de crueldade empregado pelos executores.
Laudos periciais indicaram que Sara não foi apenas morta, mas submetida a uma sessão de tortura. O corpo apresentava múltiplas lesões por arma branca e a amputação de dedos, marcas que, segundo a linha de investigação, são características de execuções promovidas por organizações criminosas para enviar mensagens de poder e medo à comunidade local.
A operação desta quarta-feira representa uma resposta estratégica do setor de inteligência. A ação contou com a participação da 1ª Delegacia Territorial de Porto Seguro, da Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (DTE) e da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), além do apoio tático das equipes GATTI (Grupamento de Apoio Tático e Tático Itinerante) das regiões do Descobrimento, Sul e Costa do Cacau.
O intercâmbio de informações com o Núcleo de Inteligência de Ilhéus foi fundamental para localizar os endereços alvos da operação. O objetivo central, além das prisões, é a coleta de novos elementos probatórios — como aparelhos eletrônicos e documentos — que possam levar à identificação dos mandantes e de outros coautores que participaram do "tribunal do crime".

Embora a prisão de R. S. S. represente um avanço significativo, a Polícia Civil afirma que as diligências continuam. O foco agora é cruzar os dados obtidos nas buscas desta manhã para fechar o cerco contra a estrutura criminosa que opera no distrito de Vera Cruz e arredores.
Até o fechamento desta edição, o material apreendido estava sendo periciado e o suspeito permanecia à disposição da Justiça, aguardando transferência para o sistema prisional.

