
Flavio dos Santos Fraga/ foto, divulgação
A Polícia Civil da Bahia concluiu as investigações da Operação Deepfake, que apurou um esquema criminoso de fraudes praticadas com o uso indevido da identidade profissional e pessoal de um médico que atua em Teixeira de Freitas e em outros municípios da região. O principal investigado, identificado como Flavio dos Santos Fraga, de 42 anos, foi indiciado pelos crimes de estelionato, falsidade ideológica, uso de documento falso e associação criminosa.
As investigações foram conduzidas pela Delegacia Territorial de Teixeira de Freitas, no âmbito do Inquérito Policial nº 103858/2025. A operação recebeu o nome de Deepfake devido à utilização de imagens produzidas por inteligência artificial e outros recursos tecnológicos empregados para conferir aparência de autenticidade aos golpes aplicados pelos criminosos.
Segundo a Polícia Civil, o esquema utilizava dados pessoais e profissionais do médico para adquirir medicamentos, insumos hospitalares e equipamentos médicos junto a empresas de diversos estados do país. Para isso, eram utilizados documentos falsificados, receituários médicos adulterados, comprovantes de residência falsos, números de telefone cadastrados em nome de terceiros e contas eletrônicas criadas exclusivamente para a prática dos crimes.
Durante a investigação, os policiais realizaram análises de inteligência, levantamentos cadastrais, medidas judiciais e interceptações telefônicas e telemáticas, que permitiram identificar o suspeito como o principal responsável pelas fraudes. Os investigadores localizaram elementos que o vinculam diretamente ao esquema, incluindo linhas telefônicas, contas de e-mail, aparelhos celulares, documentos falsificados e arquivos contendo receitas médicas fraudulentas e imagens manipuladas digitalmente.
As apurações também revelaram que Flavio dos Santos Fraga possui histórico de envolvimento em investigações relacionadas a crimes patrimoniais praticados mediante fraude e associação criminosa, utilizando métodos semelhantes aos identificados na Operação Deepfake.
De acordo com a Polícia Civil, o investigado não agia sozinho. As evidências apontam a participação de outras pessoas na obtenção de documentos falsos, na produção das imagens fraudulentas, no fornecimento de dados utilizados nos golpes e na operacionalização das ações criminosas, fato que motivou o indiciamento também pelo crime de associação criminosa.
No decorrer da operação, a Justiça autorizou o cumprimento de mandados de prisão temporária e de busca e apreensão. No entanto, o suspeito não foi localizado durante as diligências e passou a ser considerado foragido. Posteriormente, diante do conjunto probatório reunido pelos investigadores, a prisão temporária foi convertida em prisão preventiva, que permanece em vigor.
Com a conclusão do inquérito, Flavio dos Santos Fraga foi formalmente indiciado pelos crimes previstos nos artigos 171 (estelionato), 299 (falsidade ideológica), 304 (uso de documento falso) e 288 (associação criminosa) do Código Penal Brasileiro. Os autos foram encaminhados ao Ministério Público, que deverá adotar as medidas legais cabíveis.
A Polícia Civil informou que as diligências para localizar e prender o investigado continuam em andamento. Informações que possam contribuir para sua captura podem ser repassadas pelos canais oficiais de denúncia.
A Operação Deepfake evidencia os desafios enfrentados pelas forças de segurança no combate às fraudes digitais e ao uso criminoso de ferramentas tecnológicas e de inteligência artificial, reforçando a importância da atuação especializada na identificação e responsabilização dos autores desses delitos.
