
Exames, vacinação, alimentação e hábitos saudáveis ajudam a preparar o corpo para uma gestação mais segura - Foto: Revista Malu
A maternidade começa muito antes do teste positivo. Cada vez mais mulheres têm buscado acompanhamento médico, exames preventivos e mudanças no estilo de vida antes da gravidez para reduzir riscos e melhorar a saúde materna e fetal.
Esse movimento acompanha uma transformação demográfica importante. Dados recentes do IBGE mostram que o número de brasileiras que se tornam mães após os 40 anos praticamente dobrou nas últimas duas décadas.
Além disso, estudos recentes publicados pela revista científica The Lancet e discutidos pelo Ministério da Saúde reforçam a importância da saúde pré-concepcional. Além disso, eles mostram que fatores como saúde mental, alimentação, vacinação e acompanhamento médico têm impacto direto na fertilidade e na gestação.
A diretora médica do Laboratório Santa Luzia, Annelise Wengerkievicz Lopes, explica que o planejamento reprodutivo permite identificar alterações silenciosas antes da gravidez. "O ideal é que a mulher inicie esse processo com exames atualizados, para corrigir deficiências nutricionais, investigar doenças metabólicas e avaliar infecções que podem interferir na fertilidade ou no desenvolvimento fetal."
Confira 7 cuidados antes da engravidar:
1 - Fazer exames laboratoriais
Antes de engravidar, é importante avaliar como está a saúde geral da mulher. Exames laboratoriais ajudam a identificar alterações que muitas vezes não apresentam sintomas, como anemia, diabetes, deficiências nutricionais e alterações hormonais, que podem impactar a fertilidade e a gestação.
Entre os exames mais indicados no período pré-concepcional estão hemograma, glicemia, hemoglobina glicada, dosagem de ferro, ferritina, vitamina D, vitamina B12, avaliação da tireoide e sorologias para infecções como sífilis, HIV, hepatites, toxoplasmose e rubéola.
Segundo especialistas, o acompanhamento pré-concepcional também auxilia na prevenção de complicações durante a gravidez e no desenvolvimento saudável do bebê.
2 - Atualizar a vacinação
A atualização da carteira vacinal faz parte dos cuidados recomendados para quem pretende engravidar. Algumas infecções podem trazer riscos tanto para a gestante quanto para o bebê, por isso a avaliação médica ajuda a verificar quais imunizações são necessárias em cada caso.
Entre as vacinas mais recomendadas antes e durante a gestação estão influenza, hepatite B, Covid-19 e dTpa, que ajuda na proteção contra difteria, tétano e coqueluche. Nos últimos anos, especialistas também passaram a destacar a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), associada à prevenção de casos graves de bronquiolite em recém-nascidos.
3 - Avaliar a saúde ginecológica
Exames de imagem podem ajudar a investigar condições relacionadas ao útero, ovários e trompas antes da gravidez. Entre os principais estão ultrassom transvaginal, ultrassom pélvico e, em alguns casos, histerossalpingografia, exame utilizado para avaliar a permeabilidade das trompas. Essa avaliação permite identificar possíveis fatores que possam dificultar a concepção ou exigir acompanhamento específico durante a gestação. O ginecologista Jaime Kulak, do Laboratório Frischmann Aisengart, afirma que essa investigação permite identificar alterações antes das tentativas de engravidar.
4 - Começar a suplementação adequada
O ácido fólico costuma ser recomendado antes mesmo da concepção porque participa da formação do tubo neural do bebê, estrutura que dará origem ao cérebro e à medula espinhal ainda nas primeiras semanas da gestação. A suplementação adequada ajuda a reduzir o risco de malformações congênitas, como anencefalia e espinha bífida.
Segundo a ginecologista e ultrassonografista ginecológica Ana Glauce, do Laboratório Exame, a recomendação é que a suplementação seja iniciada antes da gravidez, já que muitas mulheres descobrem a gestação quando essa fase inicial do desenvolvimento fetal já começou. Ela destaca ainda que a dose deve ser orientada de forma individualizada, de acordo com o histórico clínico e as necessidades de cada paciente.
5 - Melhorar hábitos de vida
Hábitos de vida também exercem influência importante na fertilidade e na saúde da gestação. Alimentação balanceada, prática regular de atividade física, qualidade do sono e redução do consumo de álcool e cigarro estão entre os fatores que contribuem para o equilíbrio hormonal e o bem-estar materno.
Estudos recentes publicados na revista científica Human Reproduction também apontam que o consumo frequente de alimentos ultraprocessados pode estar associado a maior dificuldade para engravidar e a impactos no desenvolvimento embrionário inicial, reforçando a importância dos cuidados com a alimentação já no período pré-concepcional.
6 - Conhecer os exames genéticos disponíveis
Os avanços da medicina diagnóstica ampliaram as possibilidades de acompanhamento da gestação e do planejamento reprodutivo. Natália Gonçalves, superintendente de reprodução humana, pesquisa e desenvolvimento da Dasa Genômica, explica que exames como a sexagem fetal e o NIPT (Teste Pré-Natal Não Invasivo) permitem obter informações ainda nas primeiras semanas da gravidez, incluindo o rastreamento de alterações cromossômicas.
Ela também destaca o Painel de Portadores (PCGT), exame genético que avalia se o casal possui variantes associadas a doenças hereditárias recessivas, contribuindo para um acompanhamento mais individualizado da saúde reprodutiva.
7 - Buscar acompanhamento individualizado
Cada mulher possui histórico clínico, rotina e necessidades específicas. Por isso, o acompanhamento médico personalizado é importante em todas as etapas do planejamento reprodutivo.
Estudos recentes também mostram que saúde mental, apoio emocional e condições de vida estão entre os fatores mais relevantes para quem deseja engravidar.
Para Annelise Wengerkievciz Lopes, a maternidade deve ser vista como uma jornada de cuidado contínuo. "Hoje vemos menos improviso e mais preparo, menos idealização e mais acolhimento. A jornada da maternidade começa antes mesmo da gravidez."
