
Foto: Divulgação
O Bosque dos Cem Acres está em festa e o motivo atravessa gerações. O Ursinho Pooh, aquele que se autodefine com humildade como um personagem "de pouco cérebro", completa seu centenário em 2026 consolidado como um dos maiores fenômenos da cultura pop mundial.
Os 100 anos do ícone Ursinho Pooh
O que começou em 1926, pelas mãos do escritor inglês A.A. Milne e os traços de E.H. Shepard, transformou-se em um império de afeto sob o selo da Disney. Mais do que um bichinho de pelúcia que ganhou vida, Pooh personifica uma sabedoria sincera e desprovida de artifícios, algo que ressoa com força em um mundo cada vez mais complexo.
Como explica Kevin Kern, guardião dos arquivos da Disney em Burbank, todos nós guardamos um pouco do ursinho em nossa essência, compartilhando das mesmas emoções e dilemas cotidianos, seja o desejo por um pote de mel ou a tentativa de compreender as nuances da amizade.
A Origem de um legado
A gênese desse universo lúdico remete à infância de Christopher Robin, filho de Milne, cujos brinquedos reais deram nome a figuras imortais como Leitão, Ió, Tigrão e o próprio Pooh.
Após a Disney adquirir os direitos na década de 1960, a imagem do urso de camiseta vermelha curta tornou-se onipresente, saltando dos livros para curtas-metragens, lancheiras e grandes produções cinematográficas, como o recente live-action estrelado por Ewan McGregor. A calma inabalável do personagem é, segundo o animador Mark Henn, o seu maior trunfo. Existe uma serenidade intrínseca em sua forma de ser que atravessa o tempo; mesmo diante das frustrações mais infantis, Pooh mantém uma clareza emocional que muitos adultos ainda lutam para alcançar.
Entre a diplomacia e as fronteiras do domínio público
A jornada centenária de Pooh, entretanto, não foi isenta de episódios inusitados fora do entretenimento infantil. O ursinho já "concorreu" à presidência dos Estados Unidos em uma campanha satírica da Disneylândia e, mais recentemente, viu sua imagem ser censurada na China devido a comparações visuais com o líder Xi Jinping.
Com a entrada do personagem em domínio público em 2023, novas e controversas versões surgiram, desde cartilhas de segurança em escolas americanas até o cinema de terror de baixo orçamento com "Sangue e Mel".
Apesar dessas incursões por caminhos mais sombrios ou políticos, o núcleo de Pooh permanece intocado. Ele sobrevive às polêmicas e às releituras, oferecendo um refúgio de gentileza que parece ser exatamente o que o público busca em seu primeiro século de existência.
https://www.terra.com.br/noticias/ursinho-pooh-classico-que-conecta-geracoes-completa-cem-anos,140ecc80a204bc7f5545d0bad4a5cdccpi9lky9j.html?utm_source=clipboard
