
Os proprietários da Fazenda Barra do Cahy, localizada no Extremo Sul da Bahia, denunciaram uma situação grave de violência, insegurança e descumprimento de ordem judicial após a invasão da propriedade por um grupo armado. A fazenda pertence à mesma família há mais de 20 anos e, segundo os responsáveis, sempre foi mantida com responsabilidade ambiental, além de servir como local de trabalho e moradia para funcionários.

De acordo com o relato, a primeira invasão ocorreu na noite do domingo (8), quando homens encapuzados e fortemente armados, portando fuzis, entraram na fazenda, renderam os caseiros e praticaram diversos crimes. Pertences pessoais, celulares e cartões de crédito teriam sido roubados. O restaurante existente no local foi saqueado, estruturas foram danificadas e houve destruição de bens. Os invasores alegaram que a ação estaria relacionada a uma suposta demarcação de área indígena. A Polícia foi acionada e, naquele momento, o grupo deixou o local.
No dia seguinte, os proprietários estiveram na fazenda para registrar os danos e os furtos. No entanto, ainda na mesma noite, o grupo retornou, desta vez com um número ainda maior de pessoas — cerca de 30 homens, segundo os relatos — e com armamento mais pesado. A porteira principal foi incendiada, os invasores conseguiram entrar novamente e passaram a ocupar integralmente a propriedade.
Desde então, a fazenda permanece sob controle do grupo invasor. Os proprietários afirmam que funcionários foram expulsos de suas residências e impedidos de retornar ao local até mesmo para retirar pertences pessoais. Também há preocupação com a integridade de cavalos e outros animais que permanecem na área, além do risco de incêndios criminosos, já que parte da fazenda é considerada área de preservação ambiental.
Os responsáveis pela propriedade destacam que a área, de fato, é objeto de discussão judicial relacionada à demarcação, porém o processo ainda não foi concluído. Além disso, informam que há uma decisão judicial vigente, por meio de uma Ação de Interdito Proibitório, que garante a posse da fazenda aos proprietários e proíbe qualquer tipo de invasão até a definição final do caso.
Mesmo com a decisão judicial, os proprietários relatam que permanecem impedidos de acessar a fazenda. Eles também informam que há representantes da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI) presentes no local, acompanhando o grupo que ocupa a área.
A situação, segundo a família, é de medo, insegurança e sensação de abandono, envolvendo não apenas um conflito fundiário, mas também denúncias de violência armada, descumprimento de ordem judicial e possíveis danos ambientais.
Os proprietários afirmam que estão reunindo documentos, registros, fotos e vídeos e buscam apoio das autoridades e da imprensa para dar visibilidade ao caso e garantir o cumprimento da lei, preservando a integridade das pessoas envolvidas e do meio ambiente.
Carta enviada a nossa redação;
Entro em contato para pedir apoio jornalístico diante de uma situação extremamente grave que estamos vivendo.
Somos proprietários da Fazenda Barra do Cahy há mais de 20 anos. Sempre mantivemos a área com responsabilidade ambiental, preservando a natureza e funcionando também como espaço de trabalho e moradia para nossos funcionários.
Ontem, a fazenda foi invadida por homens armados e encapuzados, portando fuzis. Eles renderam os caseiros, roubaram pertences pessoais, celulares, cartões de crédito, saquearam o restaurante da fazenda, quebraram estruturas e causaram grande destruição, alegando se tratar de uma demarcação de área indígena. A Polícia foi acionada e, naquele momento, os invasores fugiram.
No dia seguinte, estivemos no local, registramos os danos e os roubos. Porém, na mesma noite, o grupo retornou ainda mais armado, com cerca de 30 homens. Incendiaram a porteira, conseguiram entrar novamente e, desde então, tomaram posse total da fazenda. Hoje, há ainda mais pessoas no local, e representantes da FUNAI estão presentes ao lado deles.
É importante ressaltar que a área está, sim, em discussão judicial quanto à demarcação, porém o processo ainda não foi concluído. Temos uma decisão judicial vigente — uma Ação de Interdito Proibitório, concedida por juiz — que proíbe esse tipo de invasão e garante nossa posse até o desfecho legal.
Mesmo assim, nossos funcionários foram expulsos de suas próprias casas, não puderam retornar para buscar seus pertences, e ninguém mais consegue entrar na fazenda. Há cavalos e outros animais lá dentro, e temos medo real de maus-tratos ou de incêndios criminosos, já que parte da área é de preservação ambiental.
Hoje vivemos um cenário de medo, insegurança e total desrespeito à lei. Estamos impedidos de acessar nossa própria propriedade, apesar de decisão judicial válida, e sentimos que nossa história, nossos direitos e a integridade das pessoas envolvidas estão sendo ignorados.
Gostaríamos muito de contar com seu apoio para dar visibilidade a esse caso, que envolve violência armada, conflito fundiário, descumprimento de ordem judicial e risco ambiental.
Ficamos à disposição para fornecer documentos, registros, fotos, vídeos e qualquer informação adicional.
Agradeço imensamente sua atenção.
Atenciosamente,
A autora da carta pdeiu para não ser identificada por medo de retaliação.
