
Reprodução/Redes Sociais
Três policiais militares foram denunciados ontem, dia 18, pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA), por meio do Grupo de Atuação Especial Operacional de Segurança Pública (Geosp), pela execução do jovem Alex Vila Nova Santos, ocorrida em setembro de 2022, no município de Mucuri. Apresentada à Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Mucuri contra os policiais Arthur Garcia dos Santos, Wilton Gomes de Souza e Winder dos Santos, a denúncia aponta para crime de homicídio qualificado praticado por motivo torpe e mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima, uma vez que ela já estava rendida e algemada quando teria sido morta. O MPBA requer que os três policiais sejam processados e julgados pelo Tribunal do Júri pela execução e pediu a prisão preventiva dos denunciados. Foi solicitada ainda a condenação dos denunciados, a perda dos cargos públicos e a reparação dos danos causados aos familiares da vítima.
Em relação aos crimes conexos de ocultação de cadáver, peculato e fraude processual, o Ministério Público ofereceu denúncia na Justiça Militar.
Segundo as denúncias apresentadas, no dia 8 de setembro de 2022, os policiais abordaram Alex Vila Nova Santos no bairro Aroeira, em Mucuri, quando ele trafegava de bicicleta. Conforme as investigações, a vítima foi algemada, colocada na viatura policial e nunca mais foi vista. Desde então, não manteve contato com familiares e seu corpo jamais foi localizado. Para o MPBA, os elementos produzidos ao longo de quase quatro anos de investigação demonstram que Alex Vila Nova Santos foi privado de liberdade pelos policiais, permaneceu sob custódia exclusiva da equipe e foi executado, tendo o corpo sido ocultado para assegurar a impunidade dos crimes.
Simulação de fuga
As apurações conduzidas pela Polícia Civil e reunidas na denúncia apontam que os policiais teriam construído uma versão falsa para encobrir o desaparecimento da vítima. No dia seguinte aos fatos, registraram boletim de ocorrência alegando que Alex Vila Nova Santos teria fugido após ser abordado. Posteriormente, segundo a acusação, os denunciados utilizaram um telefone apreendido em diligência anterior para enviar mensagens à ex-companheira da vítima, simulando que ela havia deixado a cidade por vontade própria. As investigações telemáticas identificaram indícios de vínculo entre os aparelhos utilizados e um dos denunciados, reforçando a tese de tentativa de fraude para dificultar a elucidação do caso.
Ainda de acordo com as denúncias, laudos periciais, análise de dados telefônicos e telemáticos e a reprodução simulada dos fatos revelaram inconsistências e contradições nas versões apresentadas pelos policiais, além de elementos que indicam que a vítima permaneceu sob custódia da guarnição após a abordagem inicial. Os relatórios investigativos também apontaram a inexistência de registros que comprovassem a alegada fuga.
