
Foto: Reprodução/Instagram
Morreu aos 98 anos a atriz Laura Cardoso, um dos maiores nomes da dramaturgia brasileira. A morte foi anunciada na madrugada desta terça-feira (18), por meio de uma publicação em seu perfil oficial no Instagram. Segundo a publicação, ela estava em casa e morreu de causas naturais.
A mensagem publicada nas redes sociais destacou a trajetória da artista e a importância de seu legado para a cultura brasileira. “Nossa grande estrela se despediu de nós. Laura Cardoso estará para sempre em nossos corações. Obrigada por tudo, nossa amada e eterna Laura Cardoso”, diz o texto.
Com mais de oito décadas dedicadas à arte, Laura Cardoso construiu uma das carreiras mais longevas da televisão, do cinema e do teatro no Brasil. A atriz iniciou sua trajetória profissional aos 15 anos e acompanhou importantes transformações da dramaturgia nacional, desde os tempos do rádio até a consolidação da televisão como um dos principais meios de entretenimento do país.
Durante os primeiros anos de carreira, Laura esteve ao lado de artistas que também ajudaram a construir a história da dramaturgia brasileira, como Lima Duarte, Yara Lins, Lolita Rodrigues e Vida Alves. A geração participou da transição entre o rádio e a televisão e contribuiu para a formação de uma nova linguagem artística no país.
Ao longo das décadas, Laura Cardoso interpretou dezenas de personagens em novelas, séries, filmes e montagens teatrais. Entre os trabalhos que marcaram sua trajetória estão “Mulheres de Areia”, “A Viagem”, “Pão, Pão, Beijo, Beijo” e “Sol Nascente”. Seu último trabalho em uma novela foi “A Dona do Pedaço”, exibida em 2019.
Mesmo depois de completar 90 anos, a atriz continuava demonstrando disposição para trabalhar. Em 2023, aos 95 anos, Laura falou sobre sua relação com a profissão e deixou claro que não pretendia tratar a televisão como uma etapa encerrada de sua vida.
“Gosto de estar com a minha gente. Em um estúdio, nada me cansa. Quero morrer trabalhando”, afirmou em entrevista ao jornal Estadão.
Filha de portugueses, Laura cresceu em uma família que tinha proximidade com as artes. O pai, comerciante e admirador do teatro, apoiou a escolha da filha pela carreira artística. A mãe, porém, inicialmente foi contrária à decisão, em um período em que mulheres que trabalhavam no teatro ainda enfrentavam forte preconceito.
Aos 15 anos, Laura decidiu seguir o caminho artístico e, a partir dali, construiu uma trajetória que atravessou gerações. Sua carreira se confunde com a própria história da dramaturgia brasileira, deixando personagens que permanecem na memória do público e um legado de mais de oito décadas dedicadas à televisão, ao teatro e ao cinema.
A morte da atriz encerra uma das mais importantes trajetórias da história da arte brasileira, mas seu trabalho permanece como referência para novas gerações de artistas e admiradores da dramaturgia.
