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Canetas emagrecedoras no SUS: governo testa semaglutida em pacientes com obesidade grave

Ministério da Saúde acompanha pacientes em Porto Alegre para avaliar eficácia, segurança e possibilidade de adoção do tratamento na rede pública

Por Neuza em 18/09/2026 às 16:47

Canetas emagrecedoras no SUS: governo testa semaglutida em pacientes com obesidade grave

Os medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, poderão passar a ser oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para pacientes com obesidade. A incorporação, porém, ainda depende da conclusão de estudos e da definição de um protocolo clínico que estabeleça critérios para utilização e acompanhamento dos pacientes.

A estratégia está sendo conduzida pelo Ministério da Saúde, que iniciou em junho um protocolo de acompanhamento no Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre (RS). A iniciativa utiliza a semaglutida, um dos princípios ativos da classe, em pacientes com obesidade grave ou associada a outras doenças.

Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 250 pacientes do SUS serão acompanhados no estudo, denominado Real-Bari. O objetivo é avaliar aspectos clínicos, operacionais e econômicos do tratamento, além de estabelecer critérios para que o uso do medicamento ocorra com acompanhamento médico especializado.

Entre os participantes estão pessoas que enfrentam obesidade grave e possuem indicação para cirurgia bariátrica. Uma das questões analisadas pelos pesquisadores é se o tratamento com semaglutida pode proporcionar controle suficiente da doença para que, em determinados casos, a necessidade de cirurgia seja reduzida ou reavaliada.

O estudo também acompanha possíveis efeitos do medicamento em pacientes com obesidade e problemas cardiovasculares, além de investigar seu impacto em mulheres que já tiveram câncer de mama e apresentam risco de reincidência da doença. O Ministério destaca que a proposta é avaliar o uso da medicação dentro de critérios médicos e não como uma alternativa voltada apenas à perda de peso por motivos estéticos.

Os primeiros resultados apresentados pelo Ministério da Saúde indicam resposta positiva no primeiro paciente do SUS a receber o medicamento dentro do protocolo. Segundo a pasta, o paciente estava na fila para cirurgia bariátrica e havia perdido seis quilos, além de apresentar redução da circunferência corporal e mudanças relatadas nos hábitos de vida.

Apesar do avanço dos estudos, a distribuição das canetas emagrecedoras ainda não ocorre de forma regular em todo o SUS. De acordo com o Ministério da Saúde, os resultados do protocolo serão utilizados para ajudar a definir como o tratamento poderá ser implementado na rede pública.

Em julho, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de cinco novos medicamentos à base de semaglutida. A ampliação do número de produtos registrados faz parte da estratégia do governo para aumentar a concorrência e ampliar o acesso aos medicamentos. Atualmente, segundo o Ministério da Saúde, já são 14 produtos registrados para o tratamento da obesidade.

A entrada de novos fabricantes também contribuiu para a redução dos preços no mercado. O Ministério informou que medicamentos que anteriormente custavam entre R$ 1,7 mil e R$ 2 mil passaram a ser encontrados, em alguns casos, na faixa de R$ 300 a R$ 400.

A possível incorporação ao SUS ainda passa pela avaliação das evidências científicas, dos custos e dos critérios de utilização. A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) já analisou anteriormente pedidos relacionados à semaglutida para determinadas populações e indicações, o que reforça que a eventual oferta pública depende de uma avaliação específica para cada indicação.

Dessa forma, a expectativa do Ministério da Saúde é concluir o protocolo e, a partir dos resultados obtidos, estabelecer as regras para uma eventual disponibilização das canetas emagrecedoras no SUS em todo o país. Até lá, o tratamento segue sendo estudado e não representa, neste momento, uma oferta universal da medicação pela rede pública.

Fonte: Bahiaextremosul

Tags:   SUS canetas emagrecedoras Ministério da Saúde
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