Publicidade Davaca novo

UFSB vira palco de resistência estudantil durante o encontro da Assembleia da Democracia

Por Neuza em 11/10/2026 às 09:08

UFSB vira palco de resistência estudantil durante o encontro da Assembleia da Democracia

 


Costumo dizer que o jornalismo é a História escrita com tinta fresca. Na sexta-feira, 9 de outubro, durante a Assembleia da Democracia, realizada no Campus Paulo Freire da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), em Teixeira de Freitas, essa definição ganhou vida. Em meio à tensão política e ao avanço de manifestações contrárias aos princípios democráticos, estudantes transformaram a universidade em espaço de debate, resistência e mobilização.

Embora a assembleia tivesse como pauta questões internas da instituição, o cenário eleitoral atravessou os discursos e revelou uma preocupação comum: os riscos à democracia e o acirramento da intolerância política. Nas paredes do campus, cartazes de alerta dividiam espaço com pichações de apoio à candidatura de Flávio. Alguns materiais eram arrancados, mas logo substituídos por outros, numa disputa simbólica que refletia o clima de polarização do país.

Antes do início do encontro, estudantes relataram que pessoas estariam registrando, com celulares, quem participava da mobilização, o que despertou receio de intimidação. Ainda assim, a assembleia aconteceu. Presidido por Karl Valente Kayapó, presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE), o encontro discutiu demandas universitárias, entre elas a criação de uma sala de descanso, aprovada por unanimidade, além de relatos de perseguição e do aumento de episódios de racismo e homofobia no campus.

As falas dos participantes deram dimensão política ao encontro. Medo, indignação e preocupação com o futuro democrático marcaram os pronunciamentos, sintetizados em uma frase do ex-prefeito João Bosco: “Podemos perder a nossa democracia pelo voto”. A declaração trouxe à tona um alerta histórico: instituições democráticas também podem ser ameaçadas por processos eleitorais, quando o autoritarismo conquista espaço pelas próprias regras da democracia.

Mais do que uma reunião estudantil, a assembleia se tornou um momento de reafirmação coletiva. Ao final, os participantes confeccionaram cartazes para a manifestação prevista para o sábado, dia 10, convertendo a inquietação em mobilização.

Entre paredes pichadas, cartazes arrancados e novas mensagens de resistência, a juventude demonstrou que a disputa política não se limita às urnas ou aos palanques. Ela também acontece dentro das universidades, nos espaços de convivência e na defesa do direito à diversidade de ideias, à educação e à participação democrática.

Naquela noite, a História não foi apenas discutida. Foi vivida, nas palavras, nos gestos e nas mãos de jovens que, diante da incerteza, escolheram se organizar. E é nesse instante, quando a realidade deixa de ser apenas cenário e passa a ser protagonizada por pessoas comuns, que o jornalismo encontra uma de suas razões mais profundas de existir.

Fonte: Por Luiz Oss

Tags:   Teixeira de Freitas UFSB resistência estudantil
publicidade