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Três séculos de devoção fazem de Bom Jesus da Lapa um dos maiores destinos religiosos do país

Por Neuza em 06/08/2026 às 14:02

Três séculos de devoção fazem de Bom Jesus da Lapa um dos maiores destinos religiosos do país


Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Bahia, a Romaria de Bom Jesus da Lapa reúne centenas de milhares de peregrinos todos os anos e mantém viva uma tradição iniciada no século XVII, marcada pela devoção, pela história e pela singularidade de um santuário instalado no interior de uma formação rochosa. Comemorado nesta quarta-feira, 06 de agosto, oDia de Bom Jesus da Lapa atai milhares de romeiros para a cidade que tem o mesmo nome, impulsionando o turismo e a economia local.

Três séculos de devoção fazem de Bom Jesus da Lapa um dos maiores destinos religiosos do país

No coração do oeste baiano, a cidade de Bom Jesus da Lapa abriga um dos mais importantes destinos de turismo religioso do país. Diferentemente da maioria das grandes peregrinações católicas brasileiras, cuja devoção se concentra em igrejas e basílicas, o principal símbolo da fé lapense está dentro de uma caverna. Em 2026, a tradicional Romaria de Bom Jesus da Lapa completa 335 anos de história, consolidando-se como uma das mais antigas manifestações religiosas do Brasil.

Três séculos de devoção fazem de Bom Jesus da Lapa um dos maiores destinos religiosos do país

Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Bahia, a romaria atrai anualmente fiéis vindos de diversas regiões do estado, do país e até do exterior. Em 2025, cerca de 600 mil pessoas participaram das celebrações, reafirmando a força da devoção que atravessa gerações

A origem da romaria remonta a 1691, quando o português Francisco de Mendonça Mar chegou à região após uma profunda mudança de vida. Segundo o reitor do Santuário de Bom Jesus da Lapa, padre Roque Silva, Francisco havia sido preso em Salvador e, depois de conquistar a liberdade, decidiu abandonar a vida anterior para dedicar-se integralmente à fé cristã como eremita.

Três séculos de devoção fazem de Bom Jesus da Lapa um dos maiores destinos religiosos do país

Durante suas peregrinações pelo interior da Bahia, encontrou uma grande gruta às margens do Rio São Francisco. Levava consigo um crucifixo do Bom Jesus e uma estampa de Nossa Senhora da Soledade, de quem era devoto. Foi naquele ambiente natural que estabeleceu seu espaço de oração, transformando a caverna em um centro de devoção que, ao longo dos séculos, se tornaria referência para milhões de romeiros

O crescimento da devoção ao Bom Jesus da Lapa também está diretamente ligado à importância histórica do Rio São Francisco. Muito antes da construção das rodovias, o chamado "Velho Chico" era uma das principais vias de circulação entre diferentes regiões do interior brasileiro.

Três séculos de devoção fazem de Bom Jesus da Lapa um dos maiores destinos religiosos do país

Segundo a historiadora e professora da Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB), Napoliana Pereira Santana, o rio transportava não apenas pessoas e mercadorias, mas também histórias, tradições e notícias, transmitidas principalmente pela oralidade. Dessa forma, os relatos sobre os milagres atribuídos ao Bom Jesus da Lapa espalharam-se por diversas localidades, impulsionando o crescimento das peregrinações.

A relevância da romaria pode ser comprovada por documentos históricos. Uma carta enviada para Portugal em 1717 já fazia referência às peregrinações realizadas na gruta.

Três séculos de devoção fazem de Bom Jesus da Lapa um dos maiores destinos religiosos do país

Mais de um século depois, em 1888, ano da abolição da escravidão no Brasil, registros históricos demonstram que a celebração já reunia grande número de participantes. Entre eles destacava-se a chamada "Romaria dos Pretos", formada por descendentes de africanos escravizados e pessoas recém-libertas, considerada, à época, uma das maiores manifestações religiosas da região.

Esses registros evidenciam o papel do santuário como espaço de acolhimento, expressão da religiosidade popular e preservação da memória de diferentes grupos sociais ao longo da história brasileira.

Um dos maiores diferenciais de Bom Jesus da Lapa é justamente sua estrutura natural. O santuário está instalado em uma formação rochosa calcária, composta por 16 grutas, das quais nove são internas e utilizadas para celebrações religiosas.

Três séculos de devoção fazem de Bom Jesus da Lapa um dos maiores destinos religiosos do país

Essas cavidades naturais foram adaptadas ao longo dos séculos para receber altares, imagens sacras e espaços de oração, tornando-se verdadeiras igrejas naturais. Cada gruta faz referência a santos e personagens importantes da tradição católica, oferecendo aos peregrinos uma experiência de espiritualidade profundamente integrada à natureza.

A combinação entre patrimônio geológico, arquitetura religiosa e devoção popular faz do complexo um dos mais singulares do Brasil.

Mais do que um evento religioso, a Romaria de Bom Jesus da Lapa representa um importante patrimônio histórico, cultural e social da Bahia. Durante mais de três séculos, a peregrinação resistiu às transformações políticas, econômicas e sociais do país, preservando tradições transmitidas entre famílias e comunidades.

 

Todos os anos, milhares de romeiros percorrem longas distâncias movidos por promessas, agradecimentos e pedidos de proteção. A caminhada até a gruta simboliza um percurso de renovação espiritual, fortalecendo laços de fé que unem diferentes gerações.

Ao completar 335 anos em 2026, a Romaria de Bom Jesus da Lapa reafirma sua importância como uma das maiores expressões da religiosidade popular brasileira, preservando uma tradição que faz da fé, da memória e da natureza um patrimônio vivo da cultura baiana.

Fotos/ reprodução do Santuário

 

Fonte: Por redação do Bahiaextremosul.

Tags:   Bom Jesus da Lapa cultura romaria
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