
Foto: Revista Malu
Já é conhecido que os hormônios desempenham funções importantes no funcionamento do corpo, tendo papel crucial na regulação do metabolismo, apetite e distribuição de gordura. Sendo assim, alterações nesse mecanismo podem influenciar o ganho de peso e, ainda, aumentar a dificuldade em perdê-lo. No caso dos homens, esse risco existe principalmente devido à queda de testosterona natural do envelhecimento, e é aí que a reposição hormonal pode ganhar relevância importante.
Riscos e possíveis causas
Dentre as consequências da queda estão a redução da massa muscular, diminuição da oxidação de gordura e aumento da resistência à insulina, dificultando o uso da glicose e estimulando o armazenamento de gordura. "A baixa testosterona favorece o acúmulo de gordura, especialmente abdominal, ao reduzir a lipólise (quebra de gordura) e aumentar a atividade de enzimas que promovem o armazenamento lipídico", explica Izabelle Gindri, farmacêutica e doutora em engenharia biomédica. Outro ponto importante, segundo ela, é a queda da taxa metabólica basal, "o que faz com que o mesmo plano alimentar que antes gerava déficit calórico deixe de ser eficaz", complementa.
Essa preocupação não deve ser apenas com a aparência, já que a gordura acumulada nesses casos, chamada gordura visceral, pode representar riscos para a saúde cardiovascular. "Ela se deposita ao redor de órgãos como fígado e intestino, e está diretamente associada à chamada síndrome metabólica. Esse tecido adiposo contribui para inflamação crônica de baixo grau e maior risco de eventos cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral", alerta a profissional.
Também é preciso pontuar que nem sempre a diminuição da produção de testosterona será consequência exclusiva do envelhecimento natural. Izabelle sinaliza que a elevação do cortisol, hormônio responsável pelo estresse, interfere e pode acelerar esse processo. "Além disso, o estresse crônico está associado à privação de sono, piora alimentar e sedentarismo, fatores que amplificam o problema", acrescenta. Segundo a especialista, tem crescido o número de homens jovens com níveis hormonais abaixo do esperado para a idade. "Isso está muito relacionado ao estilo de vida contemporâneo", aponta.
Será que preciso de reposição?
Quando há, de fato, diagnóstico confirmado de hipogonadismo, o Tratamento de Reposição Hormonal (TRH) surge como um importante aliado, mas é preciso indicação e acompanhamento médico adequado. Segundo Izabelle, o TRH pode restaurar parâmetros fisiológicos e melhorar a composição corporal, energia e qualidade de vida. Porém, ela enfatiza que essa não é a única abordagem possível para alcançar tais resultados. "Intervenções no estilo de vida como perda de peso, treino de força, sono adequado e manejo do estresse podem elevar naturalmente os níveis hormonais, especialmente em quadros leves ou funcionais", indica.
Ela destaca, ainda, que o uso irresponsável e indiscriminado, ou seja, sem o devido monitoramento profissional, pode acarretar problemas de saúde. "A segurança está diretamente ligada à indicação precisa e ao controle clínico rigoroso. O tratamento inclui avaliação de parâmetros como hematócrito, perfil lipídico e saúde prostática. Por isso, deve sempre ser prescrito e acompanhado por profissional médico."
Em primeiro, uma consulta!
É fundamental estar atento a sinais sistêmicos como fadiga persistente, redução de força e massa muscular, aumento da gordura abdominal, dificuldade de concentração, piora da memória, alterações de humor (como irritabilidade ou apatia), distúrbios do sono e queda de desempenho físico. Caso reconheça esses sintomas e perceba que têm afetado a qualidade de vida, procurar um médico deve ser prioridade.
Mas lembre-se: tratamento não faz milagre. Mesmo com indicação de reposição hormonal, é preciso seguir hábitos saudáveis em relação à atividade física e nutrição. "A reposição corrige um déficit hormonal, mas não substitui os pilares da saúde metabólica. O treinamento de força, por exemplo, estimula naturalmente a produção de testosterona e melhora a sensibilidade à insulina, enquanto a alimentação adequada fornece substratos essenciais para a produção hormonal", reforça Izabelle. "Sem esses fatores, o resultado do tratamento é limitado e, muitas vezes, insustentável a longo prazo", conclui a profissional.
