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Prefeito de Caravelas dá sinais de ruptura com Jerônimo e aproximação com ACM Neto

Movimentos de bastidores indicam insatisfação com o governo estadual e apontam para possível mudança de alinhamento político às vésperas do acirramento eleitoral

Por Neuza em 26/04/2026 às 20:10

 

Nos bastidores da política em Caravelas, o debate já deixou de ser “se vai acontecer” para se transformar em “quando vai acontecer”. O prefeito Dr. Adauto, eleito pelo PSD e atualmente à frente da administração municipal, dá sinais cada vez mais claros de distanciamento do grupo do governador Jerônimo Rodrigues e de aproximação com o campo político ligado a ACM Neto.

Esse movimento não surge por acaso. Desde a campanha, Adauto construiu sua trajetória com uma base heterogênea de apoios. Em 2024, sua convenção já evidenciava essa mistura: contou tanto com o respaldo do deputado federal Valmir Assunção, do PT, quanto com o apoio do deputado estadual Robinho, do União Brasil. Desde então, ficou no ar uma dúvida inevitável: quando o cenário estadual se definisse, para qual lado o prefeito penderia?

A proximidade com nomes ligados à oposição, como Robinho e o senador Ângelo Coronel, reforça a percepção de que Adauto pode estar apenas aguardando o momento mais estratégico para se reposicionar. Em público, adota um tom cauteloso. Nos bastidores, porém, cresce a leitura de que existe insatisfação com o espaço e a atenção recebidos do governo estadual, além da avaliação de que seu eleitorado tende a se identificar mais com ACM Neto.

Prefeito de Caravelas dá sinais de ruptura com Jerônimo e aproximação com ACM Neto

Na manhã deste domingo (26), o prefeito participou de um encontro político em Teixeira de Freitas e fez questão de confirmar seu apoio ao senador ângelo Coronel afirmando que sempre recebeu ajuda do parlamentar. Esse possível movimento carrega um peso político considerável. Caso se confirme, não será interpretado apenas como uma mudança de alinhamento, mas por muitos como uma quebra de confiança.

Isso porque Adauto construiu pontes com o grupo governista, dialogou com o PT por meio de Valmir Assunção e manteve relações institucionais com o governo da Bahia. Em setembro de 2025, por exemplo, participou de uma reunião com o governador para discutir investimentos no município. Na ocasião, também foram divulgadas ações estaduais em Caravelas, como entrega de veículos, equipamentos de saúde, ônibus escolar e maquinário.

Nos bastidores, comenta-se que o prefeito estaria adotando uma estratégia pragmática: manter o diálogo com o governo enquanto garante recursos e obras, mas observando atentamente o cenário eleitoral e o fortalecimento da oposição. A ideia seria aproveitar ao máximo o apoio institucional antes de assumir, no momento oportuno, um posicionamento mais alinhado a ACM Neto.

Em Caravelas, o contexto ganha ainda mais complexidade pela presença simultânea de aliados de campos opostos na base do prefeito. De um lado, Robinho, que teve papel ativo na campanha. Do outro, Valmir Assunção, representando a ligação com o PT e o governo estadual. Adauto, portanto, se encontra em uma posição delicada, equilibrando compromissos políticos distintos e interesses estratégicos.

Se o rompimento se concretizar, ficará a dúvida sobre o que motivou essa decisão: convicção política, pressão de aliados ou cálculo eleitoral. Para apoiadores do governo estadual, a mudança pode ser vista como oportunismo. Já para o campo da oposição, tende a ser interpretada como reposicionamento legítimo.

Enquanto isso, Adauto segue sem oficializar qualquer ruptura. Mas, na política, a ausência de posicionamento também comunica — e, neste caso, indica cautela e cálculo.

O prefeito parece estar avaliando o terreno, ponderando riscos e aguardando o momento mais favorável para se posicionar de forma definitiva. Até lá, mantém um discurso institucional alinhado ao governo, enquanto, de forma mais discreta, se aproxima da oposição.

Em Caravelas, a questão já não é mais se haverá mudança.

A dúvida agora é quando — e de que forma — ela será assumida publicamente.

Fonte: Por redação do Bahiaextremosul.

Tags:   Caravelas política
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