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A Polícia Civil de Alagoas prendeu, nesta sexta-feira (23), um homem investigado por desviar mais de R$ 100 mil arrecadados por meio de doações solidárias destinadas ao tratamento médico do próprio filho, um bebê de 1 ano. O caso ocorreu no município de Murici, localizado a cerca de 50 quilômetros de Maceió, e causou forte comoção na região.
De acordo com as investigações, a mobilização começou após a criança, então com 1 ano e 5 meses, ser diagnosticada com pneumonia. O quadro clínico evoluiu de forma grave, resultando na necessidade de amputação das mãos e dos pés em decorrência de complicações. Diante da situação, moradores da cidade organizaram rifas e uma vaquinha on-line para ajudar a custear o tratamento e a reabilitação do menino.
Os valores arrecadados eram depositados em uma conta bancária em nome do pai da criança, já que a mãe se dedicava integralmente aos cuidados do filho durante o período de internação. No entanto, no dia 13 deste mês, a mulher procurou a polícia ao perceber que praticamente todo o dinheiro havia desaparecido da conta. Os recursos seriam utilizados para uma viagem a São Paulo, onde o menino receberia próteses.
Com a abertura do inquérito policial e após a análise de provas e depoimentos, a Polícia Civil constatou que o próprio pai teria desviado cerca de R$ 110 mil para utilizar em apostas virtuais, deixando apenas aproximadamente R$ 300 disponíveis para o tratamento do filho.
Concluídas as investigações, o delegado Mário Jorge Marinho indiciou o suspeito pelos crimes de furto qualificado contra vulnerável, estelionato contra vulnerável e abandono material. O Ministério Público solicitou a prisão preventiva, que foi autorizada pela Justiça.
Durante a ação policial, os agentes descobriram que o investigado havia deixado Murici e se mudado para Maceió, onde foi localizado e preso. Ele permanece à disposição da Justiça e deve passar por audiência de custódia. A Polícia Civil informou que, para preservar a criança, as identidades dos envolvidos não foram divulgadas.
O caso segue repercutindo em Alagoas e reacende o debate sobre a fiscalização de campanhas solidárias e a proteção de pessoas em situação de extrema vulnerabilidade.

