
Fotos: Reprodução/redes sociais
Uma tragédia marcada pela violência abalou a cidade de Campinas no último sábado (9). Nájylla Duenas Nascimento, de 34 anos, foi morta a tiros pelo próprio marido, o guarda municipal Daniel Barbosa Marinho, de 55 anos, poucas horas após a cerimônia de casamento do casal, realizada na manhã do mesmo dia. O crime aconteceu durante a festa de celebração no bairro DIC 4 e está sendo investigado como feminicídio.
Segundo informações do boletim de ocorrência, convidados relataram que o casal iniciou uma discussão na frente de familiares e amigos. Em meio ao desentendimento, os dois entraram em luta corporal. Parentes conseguiram retirar as crianças do local, mas, em seguida, Daniel teria pegado a arma funcional, agredido Nájylla e efetuado diversos disparos contra ela antes de fugir.
Testemunhas afirmaram ainda que o guarda retornou à residência momentos depois e voltou a atirar contra a esposa. Nájylla chegou a ser socorrida por equipes do Samu, mas não resistiu aos ferimentos.
Horas antes do crime, a vítima havia comemorado o casamento em mensagens enviadas a familiares. “Quem diria que um dia ia me casar”, escreveu na véspera da cerimônia. Nájylla deixa três filhos de um relacionamento anterior: um adolescente de 15 anos e duas meninas, de 12 e 8 anos, que estavam presentes na confraternização e presenciaram a violência.
Abalada, a mãe da vítima, Rosilaine Alves Duenas, de 49 anos, contou que já havia alertado a filha sobre episódios de agressividade do companheiro quando ele consumia bebida alcoólica. Mesmo assim, segundo ela, Nájylla estava apaixonada e decidiu oficializar a união. “Não é fácil, meu filho. Só Deus”, lamentou, na véspera do Dia das Mães.
A família também revelou que Nájylla realizava o sonho de cursar Direito em uma faculdade on-line e desejava se tornar advogada. Ela era a mais velha entre quatro irmãos. Familiares saíram do Paraná rumo a Campinas para acompanhar a liberação do corpo e os procedimentos do velório.
Após o crime, Daniel Barbosa Marinho acionou a própria corporação e se apresentou às autoridades. Ele foi conduzido à 2ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Campinas, onde o caso foi registrado como feminicídio e violência doméstica. A arma utilizada no crime também foi entregue à polícia.
O guarda municipal passou por audiência de custódia e teve a prisão em flagrante convertida em preventiva. Em nota, a defesa afirmou que acompanhará as investigações e que buscará a liberdade provisória do acusado, sustentando que os fatos serão debatidos no decorrer do processo judicial.
A Guarda Municipal de Campinas informou que instaurou procedimento administrativo disciplinar e determinou o afastamento preventivo do servidor por 90 dias. A Corregedoria da corporação acompanha o caso, que poderá resultar na exoneração do agente.

