
Rhavenna Barcelos, Renildo Silva, Lo Rhuama Barcelos, Orminda Barcelos, Rhuan Barcelos e Anatany Nina — Foto: Reprodução
O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) denunciou à Justiça seis integrantes de uma mesma família por suposto envolvimento com uma estrutura de apoio e movimentação financeira ligada ao Comando Vermelho no estado. Entre os denunciados está a missionária Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida, apontada pela investigação como uma das principais responsáveis pela comunicação entre integrantes da facção que estavam presos e pessoas em liberdade.
A denúncia, apresentada na sexta-feira (11), também inclui a pastora Orminda Barcelos, mãe de Rhavenna, as irmãs Anatany Nina e Lo Rhuama Barcelos, o namorado Renildo Silva Rios e o primo Rhuan Barcelos. Todos passam agora a responder às acusações, que ainda serão analisadas pelo Poder Judiciário.
De acordo com o Ministério Público, o grupo teria atuado entre os anos de 2024 e 2026 em um esquema destinado a receber, guardar, movimentar e ocultar recursos supostamente provenientes das atividades da organização criminosa. A investigação aponta que cada integrante teria desempenhado funções específicas dentro da estrutura familiar investigada.
Rhavenna é descrita na denúncia como peça central na interlocução entre detentos e membros da facção fora das unidades prisionais. O MP sustenta que ela utilizava o projeto religioso “Resgatando Vidas”, voltado ao atendimento espiritual de presos, para acessar diferentes setores da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, facilitando a troca de informações e o atendimento de demandas de integrantes da organização.
A mãe da missionária, a pastora Orminda Barcelos, também é apontada como responsável por manter contato com presos e auxiliar na guarda e distribuição de valores. Segundo a acusação, mensagens apreendidas durante as investigações mostram detentos tratando Orminda como “mãe” e solicitando que ela guardasse dinheiro ou levasse objetos até a unidade prisional.
O namorado de Rhavenna, Renildo Silva Rios, aparece na denúncia como uma das principais fontes dos recursos movimentados pelo grupo. Já o primo Rhuan Barcelos teria a função de guardar dinheiro em espécie e realizar entregas quando solicitado.

As irmãs Rhavenna, Lo Rhuama e Anatany Nina — Foto: Reprodução
As irmãs Anatany Nina e Lo Rhuama Barcelos também foram incluídas na ação. Anatany é acusada de efetuar depósitos e transferências bancárias, enquanto Lo Rhuama teria recebido valores e bens supostamente provenientes da organização criminosa.
As investigações ganharam força após a Operação Fariseus, deflagrada pela Polícia Civil em julho deste ano, quando mandados de busca e prisão foram cumpridos contra Rhavenna e outros investigados. Na ocasião, a polícia apontou indícios de que atividades religiosas estariam sendo utilizadas para facilitar contatos entre integrantes da facção e pessoas em liberdade.
O Ministério Público afirma ainda que análises de mensagens e arquivos digitais encontrados em contas vinculadas à missionária indicariam contatos com pessoas apontadas como integrantes da cúpula do Comando Vermelho em Mato Grosso. Entre os nomes citados está Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como “Batman”, apontado pelas autoridades como uma das lideranças da facção no estado.
A denúncia também menciona supostos vínculos de Rhavenna com Paulo Witer Farias Paelo, conhecido como “WT”, além de Renildo Silva Rios, identificado pelos apelidos “Veio”, “Velhote” e “Chapa”.
Segundo o MP, a movimentação financeira ocorria por meio de diferentes contas bancárias, estratégia que teria como objetivo dificultar a identificação da origem e do destino dos recursos.

Da direita à esquerda: pastores Nivaldo de Almeida e Orminda Carlos de Barcelos Almeida, e a filha Rhavenna Barcelos de Almeida — Foto: Reprodução
O pedido do Ministério Público agora será analisado pela Justiça, que decidirá se recebe ou não a denúncia. Caso a ação penal seja aceita, os acusados serão citados para apresentar defesa e o processo seguirá para a fase de instrução, com produção de provas e oitiva de testemunhas.
A apresentação da denúncia não representa condenação automática. Todos os investigados têm direito ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência até eventual decisão definitiva da Justiça.
