
Foto: Instituto Butantan/ Divulgação
O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A decisão foi tomada de forma preventiva após o registro de eventos adversos graves, incluindo duas mortes que seguem sob investigação para apurar possível relação com a vacina.
O anúncio foi realizado durante coletiva de imprensa com representantes do Ministério da Saúde, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Butantan.
Segundo dados apresentados pelo governo federal, cerca de 500 mil doses já foram aplicadas em todo o país desde o início da campanha de imunização, lançada neste ano com prioridade para profissionais da saúde. Nesse universo, foram registradas 3.703 notificações de eventos inesperados com sintomas semelhantes aos da dengue, o equivalente a aproximadamente 0,7% dos vacinados.
Entre os registros, 42 casos apresentaram sinais de alerta, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Três desses episódios foram classificados como graves. Um deles resultou na recuperação da paciente após internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), enquanto outros dois evoluíram para óbito.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que ainda não há evidências suficientes para confirmar que as mortes tenham sido causadas pela vacina.
“Nós tivemos três casos graves, desses dois óbitos, sem, até este momento, nas investigações já realizadas, dados suficientes para estabelecer uma causalidade entre a vacina e a ocorrência dos eventos”, afirmou.
Entre os episódios graves analisados pelas autoridades sanitárias está o caso de uma mulher de 39 anos que apresentou febre, dores musculares e náuseas seis dias após a vacinação. Ela desenvolveu um quadro de dengue grave com choque, foi internada em UTI e se recuperou.
As duas mortes investigadas envolvem uma mulher de 48 anos, que apresentou sintomas graves 19 dias após a imunização, incluindo comprometimento neurológico, e um homem de 58 anos, que desenvolveu febre cinco dias após receber a vacina e evoluiu rapidamente para um quadro de dengue grave com choque refratário.
A Anvisa informou que notificou oficialmente o Instituto Butantan e deverá convocar especialistas para aprofundar a investigação epidemiológica dos casos.
Com a suspensão temporária da vacinação, estados e municípios serão orientados a intensificar o monitoramento dos vacinados e a busca ativa por possíveis eventos adversos.
O Ministério da Saúde recomenda que pessoas imunizadas nos últimos 21 dias observem atentamente sintomas como:
Febre;
Dor abdominal intensa e contínua;
Vômitos persistentes;
Tontura;
Sangramentos;
Sonolência excessiva;
Irritabilidade;
Sinais de desidratação;
Piora do estado geral.
Qualquer um desses sintomas deve ser comunicado imediatamente aos serviços de saúde.
As autoridades sanitárias ressaltaram que a medida não significa que a vacina seja considerada insegura ou ineficaz. O objetivo é ampliar as investigações e compreender melhor os eventos registrados.
O diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, afirmou que a interrupção temporária busca garantir máxima segurança à população.
“A população vacinada continua protegida contra os quatro sorotipos da dengue. A decisão visa permitir estudos adicionais para avaliar diferentes cenários epidemiológicos e grupos populacionais”, explicou.
Desenvolvida pelo Instituto Butantan, a vacina é a primeira contra a dengue produzida integralmente no Brasil e também a primeira aplicada em dose única. Antes de sua aprovação, o imunizante foi testado em cerca de 16 mil voluntários acompanhados durante cinco anos. Os resultados apontaram eficácia global de 79,6% e proteção de 89% contra formas graves da doença.
Em nota oficial, o Instituto Butantan informou que seguirá integralmente as orientações do Ministério da Saúde e da Anvisa, colaborando com as investigações e fornecendo todas as informações necessárias para a reavaliação da estratégia vacinal.
A instituição destacou que os eventos graves registrados representam uma ocorrência extremamente rara diante do total de vacinados e reforçou seu compromisso com a produção de vacinas seguras e eficazes para o Sistema Único de Saúde (SUS).
A expectativa das autoridades é que, após a conclusão das análises técnicas e epidemiológicas, seja possível definir os próximos passos e avaliar a retomada da vacinação em todo o país.
