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Deputado Binho Galinha é condenado a mais de 36 anos de prisão pela Justiça da Bahia

Por Neuza em 10/07/2026 às 10:46

Deputado Binho Galinha é condenado a mais de 36 anos de prisão pela Justiça da Bahia

STJ de Justiça anula Operação El Patrón que teve como alvo o deputado Binho Galinha — Foto: Agência Alba

O deputado estadual Kléber Cristian Escolano de Almeida, conhecido como Binho Galinha (Avante), foi condenado pela Justiça da Bahia a uma pena que ultrapassa 36 anos de prisão, em decisão proferida nesta quinta-feira (9). A sentença é resultado de uma ação penal que apurou crimes previstos no Estatuto do Desarmamento, no âmbito da Operação El Patrón.

Conforme a decisão da Vara Criminal e de Crimes contra a Criança e o Adolescente da Comarca de Feira de Santana, o parlamentar foi condenado pelos crimes de posse ilegal de arma de fogo, posse de arma com numeração ou sinal identificador adulterado e fornecimento ou permissão de acesso de arma de fogo a adolescente.

A pena imposta a Binho Galinha soma 26 anos e três meses de reclusão, 10 anos e seis meses de detenção, além do pagamento de multa. O cumprimento da pena foi fixado inicialmente em regime fechado. Apesar de ainda poder recorrer da condenação, o deputado não poderá aguardar o julgamento em liberdade.

Além do parlamentar, outras quatro pessoas também foram condenadas no mesmo processo. Entre elas está Mayana Cerqueira da Silva, esposa de Binho Galinha, condenada a três anos e seis meses de reclusão em regime aberto. Também receberam condenações Thierre Figueredo Silva, Jackson Macedo Araújo Júnior e Roque de Jesus Carvalho. Já o investigado Kléber Herculano de Jesus, conhecido como "Charutinho", teve a punibilidade extinta em razão de sua morte.

A condenação decorre de um dos desdobramentos da Operação El Patrón, deflagrada para investigar uma suposta organização criminosa com atuação em Feira de Santana. Segundo o Ministério Público e a Polícia Civil, o grupo é investigado por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, comércio ilegal de armas e exploração de jogos de azar. Essas investigações ainda tramitam separadamente e seguem em andamento.

Na sentença, a Justiça concluiu que o deputado mantinha um arsenal distribuído em imóveis urbanos e rurais em desacordo com a legislação. Durante as investigações, foram apreendidas armas de uso permitido e restrito, munições, armamentos com numeração adulterada e outros materiais que, segundo a acusação, estavam armazenados de forma irregular.

Binho Galinha está preso desde outubro de 2025 e permanece custodiado em uma sala de Estado-Maior no Centro de Observação Penal (COP), no Complexo Penitenciário da Mata Escura, em Salvador. Apesar da prisão, ele continua ocupando uma cadeira na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba). Na decisão, a juíza Márcia Simões Costa determinou a comunicação oficial à Assembleia para que sejam adotadas as medidas cabíveis em relação ao mandato parlamentar.

Defesa afirma que recorrerá da decisão

Em nota, o advogado Gamil Foppel, responsável pela defesa do deputado, afirmou que o parlamentar é inocente e classificou a sentença como "desproporcional" e "dissociada da realidade dos autos". Segundo a defesa, as acusações decorrem de supostas irregularidades administrativas relacionadas ao registro de armas de fogo de um Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC), e não justificariam uma condenação criminal de tamanha gravidade.

O advogado também informou que recorrerá ao Tribunal de Justiça da Bahia e aos tribunais superiores, sustentando que a decisão contém erros técnicos e que a inocência do parlamentar será reconhecida nas instâncias superiores.

Até o momento, a Assembleia Legislativa da Bahia não havia se manifestado sobre as providências que poderão ser adotadas em relação ao mandato de Binho Galinha após a condenação.

Fonte: Bahiaextremosul

Tags:   Operação El Patrón
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