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Contador, administradora e veterinária são presos em Salvador por suposto esquema com títulos falsos que movimentou R$ 32 milhões

Por Neuza em 16/09/2026 às 09:26

Contador, administradora e veterinária são presos em Salvador por suposto esquema com títulos falsos que movimentou R$ 32 milhões

O contador Caio Vinícius Sande Santos, atuava nas áreas financeira e comercial, Adriana Gonçalves Sande Santos é médica-veterinária e esposa do principal suspeito e a administradora Kaliana Argolo de Oliveira, atuava na área financeira e contábil. — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Três pessoas foram presas em Salvador durante a Operação Sem Lastro, deflagrada na terça-feira (15) para investigar um suposto esquema de criação, falsificação e negociação de títulos de crédito e recebíveis fraudulentos. Segundo a Polícia Civil, a estrutura investigada teria movimentado mais de R$ 32 milhões e causado prejuízos superiores a R$ 15 milhões.

A operação cumpriu ainda oito mandados de busca e apreensão em imóveis residenciais e comerciais da capital baiana. Entre os alvos estão um contador apontado pelos investigadores como principal articulador do esquema, uma administradora que teria atuado na área financeira das empresas e uma médica-veterinária investigada por participação na movimentação patrimonial e societária.

A investigação aponta que mais de mil títulos considerados fraudulentos teriam sido criados e negociados, envolvendo mais de 200 empresas que apareciam nos documentos como responsáveis pelos pagamentos. Conforme a Polícia Civil, essas empresas não teriam realizado as operações comerciais descritas nos títulos.

Caio Vinícius Sande Santos foi preso no bairro de Jardim Armação. Segundo a investigação, ele exercia funções nas áreas financeira e comercial e seria responsável pela criação, falsificação e negociação dos títulos.

Os investigadores também apuram a utilização de um mecanismo conhecido como autopagamento, no qual recursos de empresas ligadas ao próprio grupo seriam usados para quitar parte dos títulos emitidos. A suspeita é de que a prática ajudasse a criar uma aparência de capacidade financeira e facilitasse a negociação de novos documentos.

Ainda conforme a investigação, mesmo após a identificação das primeiras irregularidades, uma nova carteira de títulos teria sido apresentada, no valor de aproximadamente R$ 17 milhões.

Kaliana Argolo de Oliveira, administradora e ex-esposa de Caio Vinícius, foi presa no bairro de Jardim das Margaridas.

Segundo a Polícia Civil, ela teria participado da estrutura financeira e contábil das empresas investigadas. Os investigadores apuram a possível manipulação de balanços e informações financeiras com o objetivo de conferir aparência de solidez econômica aos negócios.

A atuação dela também é analisada em relação à estrutura utilizada para emissão e negociação dos títulos considerados fraudulentos.

Adriana Gonçalves Sande Santos, médica-veterinária e atual esposa de Caio Vinícius, foi presa durante a operação. De acordo com a investigação, a participação dela estaria concentrada principalmente nas áreas patrimonial e societária.

Um dos pontos analisados pelos investigadores é uma transferência realizada em março de 2026, quando a totalidade das cotas de uma empresa, avaliadas em R$ 1 milhão, teria passado para o nome de Adriana.

Para a polícia, a operação pode estar relacionada a uma possível estratégia de proteção patrimonial. Os investigadores também analisam registros e publicações que indicariam que o casal continuava mantendo relacionamento e convivência.

De acordo com a Polícia Civil, o grupo investigado utilizava empresas ligadas ao setor veterinário, incluindo atividades relacionadas à comercialização e armazenamento de ração e insumos.

A suspeita é de que essas empresas fossem utilizadas para conferir aparência de regularidade às operações e sustentar a emissão dos títulos posteriormente negociados no mercado financeiro como se representassem dívidas legítimas.

Segundo os investigadores, os documentos envolviam mais de 200 empresas que apareciam como responsáveis pelos pagamentos, embora não tivessem realizado as transações comerciais descritas nos títulos.

A Polícia Civil também apura a utilização de recursos das próprias empresas para quitar parte dos documentos. A prática, segundo a investigação, teria contribuído para manter o funcionamento da estrutura e criar uma falsa percepção de capacidade de pagamento.

Segundo o delegado José Nélis, responsável pela operação, o esquema investigado teria atingido comerciantes e investidores.

A apuração aponta que algumas pessoas tiveram seus nomes protestados em razão de títulos que, segundo os investigadores, não correspondiam a dívidas reais. Conforme relatado pela polícia, pequenos comerciantes estariam entre os afetados.

A estimativa é de que a estrutura tenha movimentado mais de R$ 32 milhões, enquanto o prejuízo provocado pelas fraudes ultrapassaria R$ 15 milhões.

Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam celulares, tablets, escrituras, cadernos, comprovantes bancários e outros documentos.

Todo o material deverá passar por análise pericial e documental. A expectativa dos investigadores é identificar o caminho dos recursos, esclarecer a participação individual dos suspeitos e verificar se outras pessoas ou empresas estavam envolvidas na estrutura investigada.

As três pessoas presas permanecem à disposição da Justiça, enquanto as investigações continuam para esclarecer a extensão do suposto esquema e eventuais responsabilidades.

Fonte: Bahiaextremosul

Tags:   Operação Sem Lastro
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